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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Etnobotânica: as plantas e o costume de um povo (Parte 1)


De acordo com Posey (1987) a etnobiologia é essencialmente o estudo do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biologia. É os estudo do papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes. Neste sentido, a etnobiologia relaciona-se com a ecologia humana mas enfatiza as categorias e conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudo.
Dentro da etnobiologia, vários campos de atuação podem ser definidos, partindo da visão compartimentalizada da ciência sobre o mundo natural, tais como etnozoologia, etnobotânica, etnoecologia, etnoentomologia e assim por diante, da mesma forma como podemos estudar diferentes sociedades a partir de uma abordagem da etnomedicina, etnofarmacologia, etc etc etc
Etnobotânica é o estudo das plantas em relação ao homem, seja como alimento, para uso na medicina, na religião ou crença, como fonte combustível, para artesanato, enfim, reflete uma cultura, conceitos, opiniões, idéias de um homem, uma população, uma comunidade.
Trabalhos colocam cerca de 20 espécies vegetais servindo de alimento para o mundo. Atualmente há uma grande pressão sobre alguns cultivares como soja, trigo, milho, aveia e batata, comparando com dados arqueológicos que mostravam 2000 a 4000 cultivares diferentes, que foram sendo selecionadas e algumas espécies acabaram se perdendo.
Há um artigo de Robert e Cristine Prescott-Allen, publicado na Conservation Biology em 1990 que acho muito interessante e coloco o resumo: "Os dados da FAO sobre abastecimento e alimento para 146 países foram analisados para identificar a mercadoria vegetal que compreende 90% do abastecimento per capita de alimentos vegetais em peso, calorias, proteínas e gorduras. A mercadoria vegetal foi dividida em dois grupos: mercadoria por espécie como as couves que podem se situar dentro de uma taxa de planta em particular e as mercadorias gerais como os azeites hidrogenados cuja origem taxonômica é desconhecida. Um total de 82 mercadorias por espécie e 28 mercadorias gerais compõem os 90% de abastecimento per capita de alimentos vegetais. As 82 mercadorias por espécie compreendem as 103 espécies de plantas. Só dessas mercadorias compreendidas em 75 espécies taxonômicas, contam individualmente por 5% ou mais de abastecimento de pelo menos um país, em uma categoria nutricional (vegetais em peso, proteína ou gordura vegetal). Esses dados são várias vezes mais altos que dados anteriores nos quais poucas espécies de plantas (7-10) alimentam o mundo. Estes novos dados se consideram mais certos porque derivam de dados sobre abastecimento em nível nacional em vez de dados a nível mundial, e de várias formas de medir a importância de uma mercadoria vegetal em vez de medir a importância de uma só forma. Os resultados sugerem que (1) a diversidade das espécies de plantas permanece como um fator significativo para o abastecimento de alimento no mundo e (2) uma prioridade na conservação é manter tanto a ampla diversidade de espécies como a diversidade das variáveis genéticas que se encontram dentro de cada espécie.

O que diferenciou os trabalhos? Metodologia de estudo!

Quando se trabalha com pessoas, populações isoladas ou escala mundial, se está automaticamente trabalhando com culturas. Podendo envolver religiosidade, misticismo, não apenas com plantas para fins medicinais, alimentação, ornamentação.
Desde o enunciado de Descartes: "Penso, logo existo" - o pensamento racional e o positivismo na ciência tornaram o conhecimento adquirido verdades absolutas, as quais não poderiam, de forma alguma, serem questionadas. A verdade passou a ser patrimônio da ciência e o cientista, o indivíduo responsável pela verdade, cujas idéias representavam autoridade e conhecimento irrefutável.
Mas o homem teve que se contentar com as limitações da mente, e os conceitos e teorias usadas para descrever a natureza eram aproximações da realidade. F. Capra (1982) já citava: "os cientistas não lidam com a verdade, eles lidam com descrições da realidade, limitadas e aproximadas". Também sempre agiram assim os magos e bruxas, pois interpretavam os acontecimentos da natureza e suas consequências, e expressavam uma determinada compreensão do universo e do relacionamento do universo com o homem, próxima da compreensão que os pesquisadores de hoje possuem.

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